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BASTIDORES

Bolsonaro questiona Menezes sobre artigo que fala de lealdade

A conversa por telefone foi a primeira após o anúncio sobre a demissão do cargo

Corredores do Poder

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03/06/2020 21h55Atualizado há 1 mês
Por: Eduardo Menezes

A saída do coronel Alfredo Menezes do comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (ZFM), a Suframa, ainda rende pano pra manga. O próprio presidente conversou com o coronel sobre a repercussão do assunto na imprensa amazonense e em Brasília.

Em conversa por telefone, Jair Bolsonaro (sem partido) questionou Menezes sobre o artigo do Corredores do Poder desta quarta-feira (3), que coloca em cheque o valor da lealdade de aliados para ele. Apesar da conversa com o capitão ser amistosa, o coronel deixou claro que não estava saindo por corrupção, recebimento de propina e nada que manchasse sua biografia, ao ter dito isso recebeu de Bolsonaro a seguinte frase – “Sabe como são as coisas aqui, né?”, falando sobre o sistema político, logo depois Bolsonaro desconversou.

Bolsonaro negou que o cargo de Menezes tenha sido negociado com o Centrão da Câmara dos Deputados, disse aos jornalistas que o general que vai assumir não é do Centrão. “Ô imprensa o general não pertence ao centrão”, disse Bolsonaro falando sobre o general Algacir Polsin, que deve assumir a vaga de Menezes.

Não há nada que pese para o desligamento do coronel senão a boa e velha política do toma lá dá cá, coisa que o presidente confundiu como ato de corrupção, o que mostra que Bolsonaro mesmo com tantos anos de Congresso não aprendeu a fazer política.

No primeiro ano, Menezes teve a sorte de ter o registro dos indicadores de desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), superiores a marca de R$ 100 bilhões em faturamento anual. De janeiro a dezembro de 2019, o PIM faturou R$ 104,62 bilhões, o que representa crescimento de 12% em relação ao ano de 2018 (R$ 93,41 bilhões) e acompanha a retomada de crescimento do Polo iniciada em 2017, quando o faturamento cresceu 9,86% em relação a 2016.

Foram realizadas três reuniões do Conselho de Administração da Suframa (CAS), em 2019, e duas este ano, no mês de fevereiro e maio. A primeira da gestão de Menezes contou com a participação do presidente Jair Messias Bolsonaro, no dia 25 julho. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também estava presente. Nesse mesmo dia foram aprovados US$ 652 milhões em investimentos no Polo Industrial de Manaus. No dia 26 de setembro, aconteceu a segunda reunião com a aprovação de 26 projetos industriais e de serviços, sendo cinco de implantação e 21 de diversificação, ampliação ou atualização, com previsão de geração de US$ 133.63 milhões em investimentos totais e de 864 novos empregos no Polo Industrial de Manaus. Na terceira e última reunião do ano passado, foi mais produtiva e trouxe mais investimentos. O Conselho trouxe na pauta 31 projetos industriais, sendo 14 de implantação e 17 de diversificação, ampliação ou atualização. Os projetos somam investimentos totais de US$ 198,39 milhões, faturamento previsto de US$ 869 milhões e a geração de 1.174 empregos no Polo Industrial de Manaus (PIM) até o final dos três primeiros anos de operação. 2 – Nas duas últimas reuniões deste ano, o CAS trouxe 60 projetos industriais e de serviços.

É estranho que com números tão expressivos e qualidade do trabalho do coronel apresentados em quase um ano meio de gestão não satisfaçam o presidente. A troca na Suframa a esta altura do campeonato pode representar uma perda de base de Bolsonaro na região Norte, o que seria um suicídio com tiro na cabeça, mas como o presidente não tem muita coisa que se aproveite nela, o ato se realiza como um tiro no pé.

A cereja do bolo da conversa com o presidente foi sobre as eleições deste ano, Bolsonaro deixou a entender que daria apoio à Menezes caso fosse candidato a prefeitura de Manaus. De qualquer modo, o Jair de Brasília quer dar uma consolação ao coronel, enquanto Menezes aguarda uma posição concreta que pode nem chegar, os opositores de Bolsonaro se fortalecem com as decisões tomadas habitualmente de modo pouco inteligente.

Para a bancada do Amazonas no Congresso Nacional tanto faz a troca, Menezes nunca foi bem quisto e desejado no cargo, o próximo que entrar não passará pelo crivo dos representantes do Amazonas em Brasília deixando evidente que o modus operandi bolsonarista de fazer política, é como jogar xadrez com um pombo; ele defeca no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.

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