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Quem mandou matar o jornalista Luiz Octávio?

O caso completará 34 anos este ano

19/05/2022 15h00 Atualizada há 1 mês
Por: Thaís Ramos

Há cerca de 34 anos atrás, mais precisamente em 29 de dezembro de 1988, o repórter policial do jornal Amazonas Em Tempo, Luiz Octávio Monteiro, 39, foi assassinado brutalmente em Manaus. Desde então, o caso não foi 100% solucionado.

Pensando nisso, o Laranjeiras News decidiu reunir informações sobre o que aconteceu com Luiz para relembrar um dos assassinatos que mais chocou o Amazonas na década de 80.

Luiz Octávio

Casado com Rosimar Duarte e pai de sete filhos, Luiz Octávio Monteiro, era um dos jornalistas investigativos mais conhecidos de Manaus.

Antes de falecer, atuou como repórter da editoria de polícia dos jornais: Amazonas Em Tempo (último emprego), Diário Popular, Jornal do Comércio, A Crítica e A Notícia.

Noite do crime

No dia 29 de dezembro de 1988, Luiz Octávio foi assassinado brutalmente. Na noite do crime, o jornalista, saiu da redação para ir a uma festa de confraternização localizada na Praça da Saudade — localizada no Centro de Manaus.

Após a confraternização, Luiz decidiu ir para uma festa patrocinada pela Delegacia de Vigilância e Capturas (DVC), a festa era comandada pelo então delegado, Raimundo Délio Gomes da Silva, que ficava localizada no bairro Morro da Liberdade, zona sul da capital. Luiz acabou consumindo muita bebida alcoólica, isso facilitou a morte do homem, que segundo o jornal A Crítica de 30 de dezembro de 1989, foi pego em uma emboscada.

“Não se tem dúvida de que Luiz Octávio foi morto porque sabia demais, até muitas coisas desconhecidas pelos mais experientes policiais”, relatou Marco Engel, que era o delegado da Especializada de Homicídios que comandava as investigações.

Luiz foi morto com quatro tiros no rosto, a famosa “queima de arquivo”. Seu corpo foi deixado em um barranco na estrada da Ceasa, por volta de 4 horas da madrugada. Policiais da época informaram que o mesmo havia sido morto pelo “esquadrão da morte”.

Neste ano, Amazonino Mendes era o governador do Amazonas. E vale ressaltar que durante a pesquisa feita pela equipe do Laranjeiras na Biblioteca Pública, o mês de dezembro de 88 do jornal Amazonas Em Tempo — último emprego de Luiz — não existia mais.

Investigações e suspeitos

Dez dias após a morte do repórter, a polícia ainda não tinha chegado a uma conclusão de quem eram os principais acusados. Para eles, por ser uma queima de arquivo, policiais, bandidos, traficantes e ex-agentes da polícia Civil podiam estar envolvidos no caso.

Os jornais noticiavam que os primeiros suspeitos eram os policiais civis: Wilson, Itamar e Carlinhos Sujeira, todos da Delegacia de Homicídios. Mesmo na lista, os suspeitos continuavam negando envolvimento no crime.

Dias mais tarde, devido a uma ligação anônima para a redação do jornal A Crítica, foi denunciado que Luiz Octávio havia sido visto, horas antes de morrer, acompanhado dos policiais, Carlinhos Sujeiras, Evandro Almeida e Marlo Ricardo.

A partir daí, os promotores que ficaram responsáveis pela investigação Teófilo Mesquita, Carlos Coêlho e os delegados Hélio Rocha e Jorge Nato.

Como o caso estava sendo extremamente repercutido, foi solicitado a vinda de peritos da Unicamp de São Paulo para ajudar nas apurações do assassinato. Após identificar que um carro modelo Gol, que estava sendo usado por policiais da DVC na noite do crime, estava com manchas de sangue.

Os peritos de SP, Nelson Massini e Fortunato Palhares, começaram a realizar as coletas e identificaram que o sangue, tipo O positivo, o mesmo de Luiz Octávio.

Durante as investigações, foi revelado que o policial Evandro Alves era quem estava utilizando o carro no dia do assassinato. Quando foi interrogado, o mesmo disse que o sangue seria de uma senhora e um rapaz feridos que ele havia ajudado tempos antes.

Apesar disso, o homem não conseguiu se livrar e virou um dos principais suspeitos. No decorrer das análises, o perito, Nelson Massini, viu que no assento do passageiro, havia um rasgo e que a esponja do banco estava suja de sangue. Depois de muita análise, foi comprovado que o sangue era de Luiz.

Com as informações da ligação anônima e o sangue encontrado no veículo, Evandro e Marlo viraram os principais suspeitos do crime. Além deles, o delegado Délio Gomes era um possível suspeito, já que ele era o responsável pela DVC e estava na mesma festa que Luiz.

Dias passaram, Evandro e Marlo continuavam negando envolvimento no crime. No dia 17 de janeiro de 1989, próximo ao fim do inquérito, apenas os policiais estavam apontados como supostos culpados.

 Em 10 de janeiro, Evandro e Marlo foram presos. Entretanto, tempos mais tarde, o advogado de Evandro solicita que o mesmo fosse conduzido para tratamento domiciliar, apesar de no primeiro momento o Ministério Público ter negado o pedido, depois o mesmo foi liberado.

Evandro desapareceu

Em 25 de maio de 1989, o jornal A Crítica colocou na primeira página “Evandro é o matador”, de acordo com a perícia da época, o laudo policial era certo. O policial havia matado o repórter e levado seu corpo para Ceasa no Gol da delegacia.

Porém, o que os investigadores não esperavam era que Evandro fosse desaparecer. Duas semanas após ser condenado, o policial fugiu. Nesse período, especulações foram feitas, como a que Evandro estaria morto devido à malária.

No dia 29 de maio de 89, o A Crítica noticiou que “Evandro fugiu para livrar amigos”. De acordo com a reportagem, o policial havia sumido para não entregar o verdadeiro mandante do crime.

Várias foram as especulações, entretanto, até os dias atuais não se sabe o paradeiro de Evandro Alves. Morreu de malária? Fugiu para não entregar o mandante do crime? Ou foi morto? São questionamentos que são feitos há quase 34 anos depois do assassinato brutal.

Julgamento

Em 10 de maio de 2007, Marlon Ricardo dos Santos foi julgado e condenado a 16 anos pelo assassinato de Luiz Octávio.

Mesmo após anos, o homem continua negando autoria do assassinato. Marlo chegou a dizer durante o julgamento que foi coagido por Evandro.

Ele foi julgado no Fórum Henoch Reis e foi condenado, pegando 16 anos de cadeia. Durante o julgamento, ele ainda disse que o jornalista pegou uma carona com ele e Evandro, mas que o mesmo foi deixado em sua residência. Todavia, Luiz foi acusado de praticar extorsão, cobrando propina para que não publicar matérias contra policiais e empresários no jornal que estava atuando.

A defesa de Luiz alegou que o repórter foi morto porque sabia quem eram os envolvidos no contrabando dos videocassetes e roletas.

Apesar da acusação, a promotoria pediu a condenação de Marlo devido às evidências levantadas durante a investigação.

Quase 34 anos mais tarde, o caso Luiz Octávio ainda não foi concluído. Apesar de Marlo ter sido condenado, não sabe quem foi o mandante do crime e nem o paradeiro de Evandro Almeida.

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