Sábado, 25 de Junho de 2022
92 98468-7887
Especiais CASO BATARÁ

Família Anunciação e os mistérios do Caso Batará

A obscura história do Diário do Amazonas

21/04/2022 16h42 Atualizada há 2 meses
Por: Thaís Ramos

 

Quinta-feira (21), dia do famoso #TBT (Throwback Thursday) e para começar esse dia em grande estilo, a equipe do Laranjeiras News preparou um material mais que especial para relembrar casos que chocaram o Amazonas na década de 70. Todos os casos envolvem membros da família Anunciação, popularmente conhecida como “Batará”.

Começando pelo famoso “Caso Batará”, que envolve o nome de um dos grandes empresários de comunicação da região norte, Cassiano Cirilo Anunciação, o Batará.

Em 1978, quando já era um dos empresários mais conhecidos do estado, Batará foi acusado de matar uma de suas amantes, a comerciante Maria de Nazaré Tavares Rodrigues.

Início 

Relatado no livro do jornalista Durango Duarte “Imprensa Amazonense”, o Caso Batará conta a história de amor e ciúmes de Cassiano e Maria. Fatos de uma relação que nunca foram 100% confirmados, um caso abafado pela imprensa local.

Cassiano, um ex-motorista de praça, conhece Maria de Nazaré logo após a mesma ser dada como inocente da morte do seu ex-companheiro.

Maria, vinda do município de Canutama (AM) para Manaus após matar o companheiro, José Rodrigues, com um tiro no peito, vem para capital ser julgada pelo crime.

 

A mulher que passou alguns anos na prisão, acabou sendo inocentada por alegar legitima defesa, já que, segundo Maria, o ex-esposo vinha a ameaçando de morte e, no dia do crime, a mesma apenas se defendeu.

Assim que saiu em liberdade, ela conhece o motorista Cassiano Batará, e a partir desse momento a vida de ambos muda da água para o vinho.

Maria ajuda Batará a construir sua primeira empresa: Transportes Ana Cássia — nome da filha do empresário.

Batará, que era um homem de várias amantes, nunca assumiu um relacionamento sério com Maria de Nazaré. Ambos tinham filhos, o empresário tinha um casal: Ana Cássia e Cassiano Cirilo Anunciação Filho. Já Maria, era mãe de Ribamar Tavares Rodrigues.

15 anos de uma relação conturbada, familiares e amigos dividem opiniões sobre romance. Uns diziam que Batará era abusivo e ciumento, outros dizem que Maria quem exercia esse papel.

O crime

Em 4 de maio de 1978, Maria de Nazaré foi encontrada pelo filho, Ribamar, morta com um tiro no peito (a queima-roupa).


Manaus parou para acompanhar o caso, quem teria matado a comerciante de 47 anos? As especulações começaram quando vizinhos falaram que viram o carro de Batará, um Opala amarelo, estava estacionado na frente da casa de Maria na noite do crime. Além disso, o corpo da vítima foi encontrado com rodeada de documentos do empresário.

Batará sumiu após o crime, ficando alguns dias sem aparecer em nenhum local, especulações foram feitas, mas em 9 de maio, o empresário decide dar as caras e vai à delegacia prestar esclarecimentos sobre o caso. Na época, jornais locais noticiavam que Batará havia matado a amante.

Como esperado, o dono da empresa de transportes alegou que Nazaré sentia ciúmes e isso foi a causa de sua morte. Batará afirmou que foi a casa da amante, mas eles tiveram uma breve discussão, onde a mulher não se conformava com o distanciamento do casal, sacou uma arma e disparou contra o empresário. Em relato, Batará disse que “desviou e o tiro atingiu Maria”.

O homem disse que ficou extremamente abalado quando viu o corpo de Maria estirado no chão e acabou indo se refugiar na casa de seu filho (Cassimiro Filho).

Durante seus relatos, o empresário reforçava o quão ciumenta e possessiva Maria era, sempre buscando fórmulas de culpa-la pela própria morte.

Meses passaram e o processo que acusava Batará pela morte da amante não chegava ao fim. Veículos, de comunicação da época, como o jornal A Notícia, noticiavam situações no qual provavam que o empresário era o verdadeiro culpado.

O filho de Nazaré tentou a todo custo deixar Batará fora das grades, mas em 27 de julho de 1979 a Justiça decidiu que o empresário não iria mais a júri.

E depois disso, a vida do empresário foi banhada de conquistas, além da transportadora, Batará criou: Editora Ana Cássia (agosto de 1983), agência de viagens Ana Cássia Turismo (junho de 1984), CC Anunciação (julho de 1987), Construções e Terraplenagem Anunciação (outubro de 1992), Estivasul Indústria Comércio de Produtos Alimentícios (junho de 1994), Administradora de Imóveis Batará (setembro de 1994), Batará Comércio de Petróleo (setembro de 2009) e Manaus Auto Shopping Comércio de Veículos (novembro de 2012).

Mas o mais marcante, que perdura até hoje, é um dos veículos mais influentes da região norte do país: Grupo Diário do Amazonas, fundado em 15 de março de 1985.

Tal pai, tal filho

E quem pensa que só Cassiano “pai” esteve envolvido em crimes está completamente enganado. Em 25 de agosto de 1974, com 21 anos de idade, Cassiano Cirilo Anunciação Filho foi acusado de matar um funcionário da Transportadora Ana Cássia.

 

Conhecido como “Cassianinho”, ele foi acusado de matar o motorista Jaime Jagurta da Silva Magalhães com um tiro de revólver calibre 32.

O caso aconteceu na empresa de Batará, o irmão do empresário, Claudio Anunciação, havia começado uma discussão com um funcionário conhecido como Paulo Augusto, referentes a direitos trabalhistas.

No relato, contado por Paulo, a discussão estava ficando séria, Cassianinho — que estava embriagado — chegou ao local e acabou apontando uma arma para Paulo, porém, ao ver a cena, Jaime, ou Cigano como era conhecido na empresa, acabou se intrometendo no exato momento que Cassiano Filho puxou o gatilho. Cigano morreu no estacionamento da empresa Ana Cássia.

O crime foi denunciado, protestos foram feitos pelos próprios empregados da empresa. Paulo prestou queixa, porém, não foi o suficiente para prender o filho de um dos homens mais bem sucedidos da cidade.

O caso foi encerrado e Cassianinho não chegou nem a ser preso, pois, “não matou porque quis”.

No livro, há uma citação que diz:

“Curiosamente, em ambos os casos de acusação de homicídio — seja de Cassiano Cirilo Anunciação ou de Cassiano Filho – há algumas coincidências: os dois foram defendidos pelos mesmos advogados, alegaram legítima defesa, pediram para serem internados em clínica médica por estarem doentes e foram inocentados. A única diferença é que o pai ainda ficou detido por uma semana na Cadeia Pública, enquanto o filho sequer passou pela porta da penitenciária”.

Tempos modernos

A situação muda de figura, agora quem assume o controle são os negócios. As armas de fogo são deixadas de lado e as cédulas e contratos entram em ação.

Atual dono do grupo Diário do Amazonas, Cyro Batará Anunciação — filho mais novo do patriarca citado várias vezes nesta matéria — é quem comanda os negócios da família.

O fato começa em 2020, quando Arthur Neto (PSDB) estava no comando da Prefeitura de Manaus. Na época, visando “economizar” energia elétrica, o prefeito decidiu assinar um acordo BILIONÁRIO com a empresa Amazon Watt, do empresário Cyro Batará.

A licitação direta estava no valor de R$ 1.365.225.840,00 (Hm bilhão, trezentos e sessenta e cinco milhões, oitocentos e quarenta mil) e previa instalação de painéis solares em prédios da administração pública. Porém, nem tudo são flores, Arthur não foi reeleito e o projeto de bilhões foi cancelado.

Sob novo comando, o atual prefeito de Manaus decidiu voltar com o projeto, que já foi aprovado na Câmara Municipal de Manaus (CMM) com urgência. Todavia, ainda não foi revelado dados mais detalhados como: a Amazon Watt continua como responsável pelo PL?

Além disso, o empresário vem sendo alvo de investigação por propagar Fake News em seu veículo de comunicação sobre o empresário Alessandro Bronze.

O grupo Diário guarda muitas informações obscuras, seja dos seus antepassados, como dos atuais administradores. As armas foram trocadas por “canetadas”.

No livro de Durango Duarte, mais precisamente na página 6, ele cita:

“Ao final da leitura do primeiro livro ('Chantagem, Politicagem e Lama', de 2015) e deste segundo, em uma visão mais holística, podemos dizer que os veículos de comunicação locais não surgem sob a ótica do jornalismo tradicional, com o espírito de uma imprensa informativa e opinativa, focada nos direitos do cidadão, das liberdades democráticas. Os jornais manauaras servem como uma espécie de búnquer para salvaguardar os nomes de famílias ou grupos importantes”.

Informar virou um negócio. “Quem não paga é atacado”. Um grande exemplo disso são os ataques que as mídias do Grupo Diário de Comunicação investem contra o governo do estado. Constantemente, matéria acusando, seja o governador ou membros do estado, são publicadas no site ou vinculadas nos telejornais.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.