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Especialista explica visão econômica na Páscoa

Pandemia e desemprego, motivos para iniciar o negócio próprio

13/04/2022 14h25 Atualizada há 2 meses
Por: Leonardo Moreira

Antes mesmo da explosão da pandemia da covid-19, o cenário econômico era instável e com um histórico modesto deste 2017. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 foi de 1,2% comparado ao ano anterior. O consumo das famílias aumentou 2,6%, o ramo industrial recuou 1,1% e a taxa de desemprego já estava alta, cerca de 12%.

Perante a pandemia, uma das piores crises sanitárias que o mundo já enfrentou e ainda enfrenta, a economia brasileira sofreu graves impactos devido ao elevado número de infectados e das medidas de prevenção e segurança impostas pelo Ministério da Saúde. Muitos empreendimentos fecharam as portas e o número de desemprego cresceu expressivamente. Meios e para ganhar dinheiro tiveram que ser postas em prática pelos cidadãos para pôr o pão de cada dia à mesa.

Para Karla Martins, economista, 2022 tem chance de se recuperar: “Com o retorno gradual das atividades econômicas nos últimos meses e a possibilidade do fim da pandemia, há uma grande expectativa no crescimento da economia do país para este ano de 2022. A expectativa se dá pelo aumento do emprego formal, melhor desemprenho das atividades econômicas”.

A economista também alerta sobre um possível cenário desfavorável com os acontecimentos mundiais mais recentes, como a ofensiva russa contra a Ucrânia: “entretanto, o cenário internacional, principalmente o ataque da Rússia à Ucrânia, fatores políticos, como a proximidade das eleições, inflação alta, queda na renda dos trabalhadores, retorno do lockdown na China afetam o cenário econômico e podem alterar essa expectativa”.

Desemprego

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que no ano de 2020, a taxa de desemprego ficou em 13,5%, maior porcentagem desde a crise de 2012. O registro é o equivalente a 13,4 milhões de pessoas que procuram por trabalho.

Em 2019 o percentual chegou a 11,9%. Cerca de 7,3 milhões de pessoas, no Brasil, ficaram desempregadas durante a crise política e econômica que o mundo enfrentou com a Covid-19.

Ao fim do ano de 2021, no quarto trimestre do ano, a taxa de desemprego já estava em 11,1%, 1,5% a menos que o ano anterior, chegando perto de 1,4 milhão de empregados. A taxa média anual para 2021 foi de 13,2%, o que nos leva a crer em uma grande recuperação para o ano de 2022.

Segundo o IPEA, em fevereiro de 2022, o número de trabalhadores somava 95,3 milhões, avançando 8,6% em comparação a fevereiro de 2021. Após ajuste sazonal, fevereiro também mostrou alta de 0,8% em relação a janeiro deste ano. Como resultado deste cenário, a taxa de desemprego recuou de 14,8% em fevereiro de 2021 para 11,3% em fevereiro de 2022.

Empreendedorismo

Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2020, a taxa de empreendedorismo chegou a 31,6%, sofrendo uma queda de 18,33% comparado a 2019, que foi de 38,7%. Em 2021, a proporção foi de 30,4%, 1,2% menor que o ano anterior. 2015 foi sendo o ano de maior índice de empreendedores com 39,3%.

A Taxa de Empreendedorismo Inicial (TEA), agrega quem abriu um negócio há menos de 3 anos e meio e também por aqueles que realizaram alguma atividade para ter seu próprio empreendimento ou já tivesse inaugurado até três meses antes da data da pesquisa, mostrou um recuo de 2,4%, passando de 23,4% em 2020, para 21% em 2021.

Os empreendedores nascentes, agrupado por pessoas que tomaram iniciativas para se tornarem donos de seus próprios negócios, permaneceram no mesmo nível que o ano passado, que para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) “evidencia que ainda há muitas pessoas procurando o empreendedorismo como alternativa de ocupação”.

A Páscoa

A Páscoa, de modo geral e religioso, pode ser definida como uma nova vida, uma passagem, uma mudança, um recomeço. A ressurreição de Jesus, filho de Deus.

Karla explica a visão econômica. “Para a Economia, a Páscoa é o período de aumento de vendas por conta dos ovos de chocolate dados como presente, além do aumento nos setores do turismo por conta do feriado”.

No ano de 2022, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê R$ 2,16 bilhões no total de vendas do comércio varejista para esta época.

“Nesta época, além dos ovos de chocolate, é possível ofertar produtos e serviços vinculados ao período em áreas de alimentação, cultura e turismo local nos quais os visitantes podem adquirir”, afirma a economista.

Vendas

Em entrevista, Gláucia Ribeiro, empreendedora do ramo alimentício, conta quais outros produtos vende nesta época do ano. “Nessa época de Páscoa, além dos ovos de colher, vendo também bolos confeitados, comidas típicas como bacalhau, trufas, refeições, artesanato, docinhos de festa e cupcakes”.

Iniciativa

A empreendedora conta sua motivação para tomar a iniciativa: “sou mãe de 3 filhas, daí tenho 3 aniversários de filhas para fazer, logo penso nos gastos. Então comecei a fazer tudo para as festinhas delas, e sempre tem aquela pessoa que pergunta ‘quem fez?’ Vem também as festas de família, festas de amigos, então pensei ‘vou ganhar dinheiro com isso’. Abri meu restaurante que deu muito certo por 3 anos, aí veio a famosa crise, que deu uma quebrada. Fechei e continuei fazendo em casa mesmo os bolos, as sobremesas, as comidas e faz pouco tempo que comecei a fazer artesanato, que é voltando para as festinhas também”.

Dona Gláucia, contou sobre sua situação durante a pandemia. “Antes da pandemia estava bem movimentada, toda semana tinha em média 5 encomendas de bolos, eu estava bem satisfeita com isso. Durante a pandemia caiu muito, devido a proibição de festas e eventos. Mas uma vez ou outra aparecia uma encomenda de bolo, kit festa, mesmo para festinhas em casa, como os ‘mêsversário’ que me ajudou muito. Atualmente ainda está bem devagar, mais é sempre assim em começo de ano, mas aos poucos as coisas vão melhorando.

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