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O Dia Internacional da Mulher na visão da mulher negra LGBTQIAP+

A segunda entrevistada do quadro é com DJ e produtora amazonense Rafa Militão

09/03/2022 19h14
Por: Thaís Ramos
Foto: Laranjeiras News
Foto: Laranjeiras News

Quando falamos sobre mulheres e sua importância na sociedade, coloca-se em pauta vários fatos. O Brasil é um dos países que mais matam mulheres negras e LGBTQIAP+ no mundo.

Em uma reunião realizada na Câmara dos Deputados no ano passado, o secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Paulo Roberto, disse que das 1.350 mulheres vítimas de feminicídio em 2020, a maioria foi de negras.

Representando a mulher negra e LGBT, Rafaeli da Silva Militão, mais conhecida como Rafa Militão, aos seus 29 anos, é nascida e criada na zona Sul de Manaus. Formada em Publicidade e Propagando, Rafa atuou 8 anos no mercado da comunicação, mas de uns três anos para cá, Militão resolveu viver da música. Atualmente ela é DJ, compositora e já lançou músicas autorais, além de ser produtora cultural.

Rafa sabe a importância da figura da mulher negra e LGBTQIAP+ para o Dia Internacional da Mulher. A DJ contou que estar neste lugar, significa dar encorajamento a todas as mulheres.

“Mulheres negras, mulheres como eu, na verdade. Negras, LGBTQIAP+, crias de periferias, não só de Manaus, mas de todo o país, tem liderado rankings brabos e não são dos melhores. Então, está neste lugar reforça nossa garra, encoraja as outras manas, entendeu? É uma potência muito grande. É reação, fortalece mesmo a nossa rede, a nossa corrente”, disse Rafa.

A produtora cultural, lembrou que se não fosse pela união, pela força e carinho que recebe das outras mulheres, a “Rafa Militão”, a mulher que dá a cara a tapa, corre atrás de tornar seus objetivos realidade, nunca existiria.

“Se não fosse outras manas como eu, segurando e fortalecendo na rede, não tinha Rafa Militão gente. Então, essa figura aqui não é só minha. É por mim, por elas, por todas as outras, nesse corre de se fortalecer mesmo. É por isso que a gente dá a cara, a gente fala, a gente se mostra e se apresenta porque nada é só pela gente!", frisou Rafa.

Como produtora e compositora amazonense, Rafaeli sabe da dificuldade de sobreviver da música no Norte. Ainda mais quando se trata da mulher neste meio. Encorajando as meninas que sonham em viver o sonho de viver da música, Rafa diz:

“A Uira falou para mim outro dia uma parada sobre ‘a gente aqui do Norte ser como cobra-coral, cortando caminhos’. E é exatamente isso que a gente precisa fazer, que as pessoas precisam entender, principalmente a gente que é daqui que a gente precisa cortar esses caminhos e ‘hackear’ mesmo essa galera (...) Porque nos negam nossos próprios lugares”.

Para ela, o importante é não desistir. A DJ pede para que todas as mulheres negras se unam e se fortaleçam. “Seja sua própria Deusa. Se fortaleça, a gente tem uma rede, mas começa na gente a mudança. Seja essa água que vai irrigar a sua própria terra para florescer”, finalizou Rafaeli da Silva Militão.

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