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Cowboy Bebop da Netflix é decepção amarga

Nem homenagens ajudam live-action, que parece não entender essência que consagrou obra de Shinichiro Watanabe

19/11/2021 15h20
Por: Wellyson Nascimento
Cowboy Bebop da Netflix é decepção amarga

Já temos um histórico amplo de live-action que são decepcionantes, realmente os estúdios não sabe fazer de fato, primeiro foi Death Note, sendo que o anime é maravilhoso já a live-action decepção total, depois fizeram o filme de Dragon Ball que também foi uma negação, logo depois veio Fate Saga Winx que está meia boca e por fim recém lançado Cowboy Bebop que na mesma situação dos citados é uma decepção total.

O processo de conhecer uma pessoa nova guarda um encanto pouco comparável a qualquer outra coisa da vida. Há algo inebriante em construir uma imagem precipitada e vê-la sendo refeita pela intimidade, para só aí decidir se a verdade é tão apaixonante quanto a ilusão. É a compreensão desse processo vagaroso, mas altamente recompensador, que alicerça Cowboy Bebop, um dos animes mais influentes de todos os tempos. É também a total inabilidade em entender e preservar esse trunfo que faz da série de TV homônima da Netflix, que adapta a animação japonesa para o live-action, um desperdício de tempo e talento.

Após 26 episódios, Cowboy Bebop deixa claro que o emprego de tropos de sci-fi, faroeste, film noir, cinema de horror, longas de artes marciais, além de uma estética constantemente informada pelo encontro musical de opera rock, jazz contemporâneo e bossa nova, se prestam a celebrar e refletir sobre a condição humana; as escolhas, conquistas, derrotas e decepções que formam a identidade única de cada indivíduo. Não é à toa que a ideia da Netflix de recriar essa rica narrativa em live-action gerou desconfiança entre alguns fãs. Por conta do seu referencial no imaginário americano, Cowboy Bebop foi o primeiro anime favorito de muita gente nos EUA na virada do século XXI. Sem o argumento de que a nova versão serviria para acender o interesse por uma produção que sempre foi popular internacionalmente, o remake precisaria se justificar de outra forma — ou admitir-se enquanto puro artifício comercial.

A saída encontrada pelo produtor André Nemec (Missão Impossível: Protocolo Fantasma) e pelo time de roteiristas encabeçado por Christopher Yost (The Mandalorian) foi prometer que a série daria mais espaço para uma exploração plena de todos os personagens, revelando mais não só sobre Spike, Jet e Faye, mas também sobre Vicious, o grande antagonista do anime, e Julia, figura misteriosa e essencial do passado de um dos protagonistas, entre outros. Fazia sentido. Ao mesmo tempo, a escalação de bons nomes para seu elenco e uma clara reverência à iconografia visual da obra original garantiram não só a boa vontade, mas também a empolgação de muitos que criticavam a ideia.

Sim, porque ao homenagear a obra original apenas com cuidado na reprodução de elementos supérfluos — a violência, os figurinos, o design de personagens, o design de locações e até o cachorrinho Ein, que acaba totalmente negligenciado pela trama — o remake da Netflix apresenta Cowboy Bebop despido de todo o seu andamento envolvente, sinuoso e sem pressa, bem como sua reflexão existencialista. A série de TV não funciona nem mesmo para atualizar aspectos questionáveis do anime, como o humor sexista (já na primeira cena há uma tentativa de piada envolvendo os seios de uma criminosa), ou a instrumentalização de personagens em prol da jornada dos protagonistas.

O mais estarrecedor é perceber que a série de Cowboy Bebop leva 10 episódios de ao menos 40 minutos para adaptar livremente só cinco capítulos da animação. Nesse tempo, martela as mesmas informações sobre seus personagens, reitera as engrenagens de seu universo e se apoia constantemente em auto-homenagens vazias e constrangedoras. Ainda assim, oferece uma imersão muito inferior à do original — que tem toda a sua trama revelada em questão de minutos. Para o espectador que não conhece o anime, resta um dramalhão barato que quebra o clima da diversão casual e sequer compensa sua inconstância narrativa com espetáculo visual.

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