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Amazonas OBRAS NA BR-319

“Obras na BR-319 têm motivação política e apelo da população”, afirma Fernanda Meirelles

Audiências públicas presenciais e eletrônicas foram realizadas por órgãos públicos durante a pandemia

14/10/2021 10h59 Atualizada há 1 semana
Por: Wellyson Nascimento Fonte: Infoamazonas
“Obras na BR-319 têm motivação política e apelo da população”, afirma Fernanda Meirelles

Em entrevista, secretária-executiva do Observatório da BR-319, Fernanda Meirelles, conta como os planos de recuperação de trecho de quase 500 km avançou atropelando direitos indígenas e com estudos ambientais incompletos. Rodovia pode agravar desmatamento no sul do Amazonas, que bate recordes mensais.

Construída nos anos 1970 e abandonada na década seguinte, a BR-319 está no centro de novas polêmicas envolvendo obras na Amazônia. Seus quase 900 quilômetros ligam as capitais Porto Velho (RO) e Manaus (AM). O licenciamento para recuperar o pavimento em alguns de seus trechos foi acelerado pelo governo de Jair Bolsonaro.

Audiências públicas presenciais e eletrônicas foram realizadas por órgãos públicos durante a pandemia – uma delas ocorreu no final de setembro, quando o pesquisador do Inpa e prêmio Nobel da Paz Philip Fearnside foi agredido verbalmente por um membro do Movimento Conservador do Amazonas – e sem a participação efetiva de populações indígenas e tradicionais, que podem ser afetadas pelo empreendimento, conta Fernanda Meirelles.

Secretária-executiva do Observatório da BR-319, coletivo de entidades civis que tenta, desde 2017, reduzir os impactos socioambientais da recuperação e da manutenção da rodovia, Meirelles é mestre em Ecologia e também coordenadora de Políticas Públicas do Idesam, ONG que atua na conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Segundo a executiva a BR-319 tem grande motivação e apelo políticos e foi mantida como uma obra prioritária por vários governos, inclusive pelo atual. Foi construída sobre o mote predominante da ditadura militar de integrar a região amazônica ao restante para não cedê-la a interesses não brasileiros. Atualmente, não vejo que seria uma grande rota para o escoamento de mercadorias, que já fluem através da cabotagem e outras alternativas mais baratas. A motivação é mais política e tem um apelo popular muito grande, pois a via garantiria o acesso das populações a outros pontos do país, assegurando o direito de ir e vir, tão reforçado regionalmente.

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