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Política PANDEMIA DA COVID

Sinésio propõe medalha para Luís Nicolau; empresário da Samel é investigado em denúncia sobre proxalutamida em pacientes com Covid no Amazonas

Em maio de 2020, o site The Intercept Brasil revelou que durante a pandemia, o grupo Samel cobrou até R$ 100 mil para pacientes internados em UTI com Covid-19. Na época, a assessoria de imprensa da Samel confirmou a cobrança.

13/10/2021 19h13 Atualizada há 1 semana
Por: Sadim Salatiel
Sinésio propõe medalha para Luís Nicolau; empresário da Samel é investigado em denúncia sobre proxalutamida em pacientes com Covid no Amazonas

O deputado estadual Sinésio Campos (PT) propôs a concessão da Medalha Ruy Araújo ao empresário Luís Alberto Saldanha Nicolau, presidente do Grupo Samel. A medalha Ruy Araújo é a comenda mais importante da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Ao justificar a homenagem a Nicolau, Sinésio disse que o empresário vive em “busca de novas tecnologias em saúde para auxiliar no tratamento de diversas doenças” e que seu “mais recente desafio” foi “o combate à pandemia em decorrência do novo coronavírus que assolou o Amazonas a partir de março de 2020, onde o Grupo Samel, como empresa genuinamente amazonense, não mediu esforços para socorrer a população”.

Luís Alberto Nicolau é apontado como patrocinador no estudo realizado em pacientes internados com Covid-19 e que usaram proxalutamida.

Após tomar conhecimento, a Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), enviou um ofício à Procuradoria Geral da República (PGR) para que investigue a morte de 200 pessoas que participaram de estudo conduzido com a proxalutamida no Amazonas. O ensaio clínico foi realizado sob a liderança do endocrinologista Flávio Cadegiani e patrocinado pela rede de hospitais privada Samel.

A comissão do CNS é responsável por fiscalizar as pesquisas clínicas no Brasil, apurar responsabilidades, proibir ou interromper pesquisas definitivas ou temporárias. Neste caso, a Conep destaca uma série de irregularidades e conclui que os responsáveis pela pesquisa desrespeitaram quase todo o protocolo, aprovado em 27 de janeiro.

A Conep deu parecer favorável para que a pesquisa fosse realizada com 294 voluntários, em Brasília. No entanto, Flávio Cadegiani começou a aplicá-lo sem autorização no Amazonas, em fevereiro, e depois pediu para estender a pesquisa a Manaus, Parintins, Itacoatiara, Coari, Manacaparu, Maués e Manicoré.

Além disso, o pesquisador ampliou o número de voluntários para 588 e, ao final, entregou um parecer com resultados de 645 pessoas. Também entregou atas de apenas três dos nove centros de referência do Amazonas para os quais havia pedido autorização.

Em maio de 2020, o site The Intercept Brasil revelou que durante a pandemia, o grupo Samel cobrou até R$ 100 mil para pacientes internados em UTI com Covid-19. Na época, a assessoria de imprensa da Samel confirmou a cobrança. Mas, em seguida, afirmou que o valor do depósito-caução era de R$ 50 mil por cinco dias de internação (o que é igualmente ilegal em caso de emergência) e que as diárias adicionais custariam R$ 5 mil.

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