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Política SOBE AMEAÇA PRISÃO

Tenso com ameaça de prisão, lobista confirma à CPI relação próxima com Renan Bolsonaro em depoimento

Marconny Albernaz irritou parlamentares ao dizer não lembrar quem seria o senador que ajudaria a 'desatar nó' de contrato

15/09/2021 14h47 Atualizada há 4 dias
Por: Wellyson Nascimento
O lobista da Precisa Medicamentos Marconny Albernaz de Faria durante depoimento à CPI da Covid - Roque de Sá/Agência Senado
O lobista da Precisa Medicamentos Marconny Albernaz de Faria durante depoimento à CPI da Covid - Roque de Sá/Agência Senado

O lobista Marconny Albernaz de Faria reconheceu em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (15) que mantém uma relação muito próxima e de amizade com Jair Renan, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Albernaz afirmou durante seu depoimento que chegou a comemorar o seu aniversário em um camarote de propriedade do filho "04" e que o ajudou na abertura de sua empresa. Em um depoimento tenso, Marconny irritou diversas vezes os senadores da CPI ao dar respostas confusas e atrapalhadas, respostas essas que quase todos que vão depor dão, pra tentar se livrar das perguntas, porém estão cientes que isso poderá leva-los a prisão caso mintam.

Devido as vagas respostas do lobista, o mesmo foi ameaçado de prisão ao afirmar não se recordar quem era o senador a quem se referiu em mensagem, na qual afirma que esse parlamentar ajudaria a “desatar o nó” da negociação de testes para detectar Covid-19.

Logo existem provas de conversas dele com o “04”, com isso Marconny confirmou em seu depoimento a proximidade com Jair Renan, amizade que teve início assim que o filho do presidente chegou a Brasília. “Ele [Renan] queria criar uma empresa de influencer, e aí eu só apresentei ele para um colega tributarista que poderia auxiliar na abertura dessa empresa."

O lobista também reconheceu que comemorou o seu aniversário em um camarote de Jair Renan, localizado no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Em sua defesa, Marconny afirmou que a festa não infringiu regras sanitárias da pandemia.

Marconny é apontado pelos membros da CPI como um lobista que atua para a Precisa Medicamentos, empresa que se tornou alvo por conta da negociação suspeita para a venda da vacina indiana Covaxin. O contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde acabou cancelado.

Mais especificamente, ele teria atuado na intermediação da venda de testes de detecção da Covid-19 para o Ministério da Saúde, o que ele nega. Disse que foi apenas sondado pela empresa para prestar assessoramento político, mas que não chegou a haver tratativas e nem mesmo foi pago pelo serviço. Disse que a relação durou aproximadamente 30 dias e se resumiu a conversas por aplicativos de mensagem.

Marconny deveria ter prestado depoimento no início deste mês, mas alegou motivos de saúde e não compareceu. A cúpula da CPI chegou a determinar a condução sob vara, mas o depoente não foi encontrado. A comissão detinha uma autorização judicial para proceder com condução coercitiva, caso ele não comparecesse novamente.

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