Domingo, 19 de Setembro de 2021
92 98468-7887
Política BRASÍLIA

Contra desgaste do governo na CPI, Ciro quer Eduardo Braga no lado bolsonarista

A avaliação é que existe espaço para uma aproximação entre o Planalto e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que iniciou os trabalhos da CPI como integrante do bloco majoritário, o chamado G7, mas tem assumido posições menos hostis ao governo.

29/07/2021 14h19 Atualizada há 2 meses
Por: Lohana Fernandes Fonte: Folha Express
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

Novo ministro da Casa Civil, o senador licenciado Ciro Nogueira (PP-PI) assumirá o papel de principal estrategista do governo Jair Bolsonaro na CPI da Covid. Hoje a comissão é o maior foco de desgaste para o presidente da República no Senado.

Líder do centrão, Ciro foi nomeado nesta quarta-feira (28) como substituto do general Luiz Eduardo Ramos na Casa Civil e disse a aliados que será o responsável por desenhar a estratégia governista no colegiado.

Até hoje, o principal articulador no Planalto para o tema era o ministro Onyx Lorenzoni, que estava na Secretaria-Geral da Presidência e foi deslocado para o Ministério do Trabalho e Previdência, recriado também nesta quarta.

Ramos e a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, buscaram ajudar a traçar a resposta do governo na CPI. Porém, eles decidiram se afastar dos assuntos dos colegiados por duas razões. Primeiro, viviam em embate com Onyx, que queria ter protagonismo. Segundo, porque sofriam com queixas de senadores.

Embora já tenha sido nomeado, a expectativa é que Ciro Nogueira tome posse apenas na próxima semana.

A CPI da Covid tem 11 membros titulares, e a maioria é crítica a Bolsonaro. São considerados governistas apenas quatro senadores: Marcos Rogério (DEM-RO), Eduardo Girão (Podemos-CE), Jorginho Mello (PL-SC) e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

O senador pelo Rio Grande do Sul ocupava uma vaga de suplente e será o substituto de Ciro no colegiado. Dessa forma, o filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), assumirá uma vaga de suplente.

Embora haja dois vice-líderes do governo – Rogério e Mello –, a avaliação é que a composição não favorece o Planalto.

Jorginho Mello é um senador mais discreto, enquanto Heinze e Girão são vistos como folclóricos, usando boa parte das falas nas sessões para defender tratamentos ineficazes para a Covid-19.

De acordo com aliados, o foco imediato da ação de Ciro deve ser tentar reequilibrar a composição de forças na CPI.

A avaliação é que existe espaço para uma aproximação entre o Planalto e o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que iniciou os trabalhos da CPI como integrante do bloco majoritário, o chamado G7, mas têm assumido posições menos hostis ao governo.

De acordo com interlocutores, Ciro deve ter como prioridade cortejar Braga para o lado governista.

Senadores governistas que integram a CPI também dizem acreditar que Ciro vai aproveitar seu bom trânsito com outras bancadas para manter um diálogo mais constante com o grupo majoritário da comissão, discutindo mais diretamente votações de requerimentos e outras ações do colegiado.

Afirmam que, até o momento, a articulação política do Planalto se resumiu a enviar material para preparar os membros aliados da CPI e a alinhar o discurso.

Um membro governista lembra que há espaço mesmo para negociar uma troca de membros indicados por bancadas mais próximas ao Planalto, como o PSD, substituindo, por exemplo, o independente Otto Alencar (PSD-BA).

No entanto, esse congressista reconhece que a hipótese é improvável, uma vez que a operação tem potencial de abrir um racha nas bancadas, o que poderia atrapalhar o governo em outras frentes.

A articulação política na CPI vinha sendo criticada pelos governistas desde a instalação da comissão, em abril. O dedo era apontado particularmente para a ministra Flávia Arruda, que teria deixado que bancadas próximas, como MDB e PSD, indicassem membros críticos ao Planalto.

Com a indicação de Onyx como estrategista, os governistas dizem que pelo menos havia um planejamento para as sessões e um alinhamento no discurso.

Esses senadores lembram que, logo após as denúncias envolvendo a vacina indiana Covaxin, o então ministro da Secretaria-Geral convocou rapidamente Marcos Rogério e Jorginho Mello para uma reunião no Planalto.

Nesse encontro, foram informados que Bolsonaro teria pedido ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que investigasse o caso, e o general não teria encontrado irregularidades. Essa acabou virando a primeira versão oficial do governo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.