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Brasil EXÉRCITO

Violência se torna comum em quartéis do Brasil

Mãe denuncia violência ocorrida dentro de unidade militar em São Gabriel no RS após filho tentar suicídio.

28/07/2021 11h25 Atualizada há 2 meses
Por: Lohana Fernandes
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

Um vídeo que circulou nas redes sociais acabou gerando polêmica na cidade de São Gabriel no Rio Grande do Sul. A gravação  mostra o que seria uma agressão a um jovem de 18 anos que está servindo o Exército em São Gabriel. Nas imagens, aparece um soldado recebendo o que se chama de “pacote”, antiga prática considerada comum entre os soldados mais antigos, para “batizar” os novos soldados, no 6º Batalhão de Engenharia de Combate. O caso virou inquérito investigado pela unidade militar e deverá virar caso de justiça.

A mãe afirmou que o jovem ficou abalado psicologicamente e teria tentado tirar a própria vida. De acordo com o site caderno 7, site de notícias da cidade, ela denunciou que o jovem sofreu humilhações psicológicas e agressões físicas. “Meu filho, além de humilhações psicológicas feitas por seus superiores ditas como brincadeiras, também sofreu agressões físicas”, lamentou a mulher. 

O vídeo teria sido gravado com um telefone celular por outro militar e mostra o rapaz imobilizado por dois militares e recebendo golpes físicos de um terceiro. Ele ficou com hematomas decorrentes das agressões e também com traumas psicológicos. No vídeo, alguns deles dão risadas. A situação foi descoberta pela família que prometeu tomar medidas legais para responsabilizar os envolvidos. Familiares informaram que iriam registrar ocorrência, o que não se confirmou até o momento. 

O que diz o Exército

O comando do Exército, através da Comunicação Social do 6º BE Cmb, encaminhou uma nota à redação do site Caderno 7, que repassou ao Grupo O Diário com exclusividade, no qual informa que, “tendo tomado conhecimento da denúncia em que um militar veio sofrer agressões no interior do aquartelamento, determinou imediatamente a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos”, pontuou.

O Comando da Unidade diz que o Exército Brasileiro ressalta que não coaduna com atitudes desse tipo e que o militar que sofreu a agressão e sua família estão recebendo toda a atenção e auxílio necessários.

Outro caso

O soldado Jhonata Corrêa Pantoja, 19 anos lotado no 7º Batalhão de Polícia do Exército, localizado no bairro do São Jorge, em Manaus no Amazonas, morreu na madrugada do dia 3 de agosto de 2020 vítima de disparo de arma de fogo.

Segundo o Comando Militar da Amazônia (CMA), o soldado estava de serviço no quartel quando foi ferido por um tiro de fuzil, mas a corporação não informou de onde partiu o disparo. O rapaz foi levado por outros militares em uma ambulância para o Hospital e Pronto-socorro 28 de Agosto, mas não resistiu.

Conforme registro do Centro Integrado de Operações e Segurança (Ciops), o caso está como "morte a esclarecer". Para a polícia, um coronel informou que a vítima fazia a segurança do quartel quando outros militares ouviram um barulho de tiro e, em seguida, encontraram o rapaz ao chão, agonizado.

“Por não saberem de onde o tiro saiu, militares se protegeram atrás de um muro", contou o relato de um militar para a polícia. O disparo atingiu o rapaz no peito.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que a causa da morte foi hemorragia e uma ferida no pulmão esquerdo. Em nota, o CMA informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para identificar as causas e as condicionantes deste "lamentável episódio".

Família pede por esclarecimentos

Segundo a família o jovem por vezes se queixava de "trotes" que ocorriam durante o serviço de "ordem" para que um soldado enfrentasse com força o outro. "Ele dizia que não gostava de fazer aquilo com os colegas nem que fizessem com ele. Teve dias em que chegava cansado. Mas dizia que estava indo bem, resistindo bem e que achava que tinha condições de continuar para tentar a carreira". Afirmou a tia.

“Meu sobrinho foi praticamente assassinado. Teve vários hematomas pelo corpo. Nós não tivemos as informações necessárias pra confortar a família. Queremos que os fatos sejam esclarecidos é que os culpados sejam punidos”, disse o tio da vítima.

Familiares pedem esclarecimentos devido no laudo médico de necropsia do instituto médico legal (IML) não constar os hematomas nos braços, dedos e cabeça de Jhonata.

 

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