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Crise em Manaus foi fator determinante para decisão do STF sobre CPI da Covid

Fontes em Brasília informaram que ministros do Supremo estão estarrecidos com a atitude do governo no enfrentamento à pandemia; a crise em Manaus desgastou o ex-ministro Pazuello

09/04/2021 10h09 Atualizada há 4 semanas
Por: Eduardo Menezes

Decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinou nesta quinta-feira (8) que o Senado instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid, pegou tanto o governo quanto o Congresso de surpresa.

Segundo assessores do STF, ouvidos pelo Blog, os ministros esperavam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mudasse sua postura no combate à pandemia de covid-19, após o colapso nos hospitais de Manaus no início do ano. De acordo com a fonte, os ministros estão estarrecidos com a postura do presidente de politizar a pandemia e agir em cima das eleições do ano que vem.

“Bolsonaro só avança quando vê que seus adversários tomam rumo contrário ao seu, os ministros acreditam que isso é uma postura perigosa, tanto para democracia, quanto para o enfrentamento da crise sanitária” disse a fonte.

Quando Manaus estava prestes a colapsar, o presidente Bolsonaro ignorou os alertas sobre uma segunda onda em Manaus e chegou a elogiar as manifestações que pediam o comércio não essencial aberto.

Bolsonaro não apenas apoiou as aglomerações, como seu governo minimizou alertas de que Manaus poderia colapsar. O presidente negou responsabilidades pela crise e disse que cabe ao governo federal somente repassar recursos para o combate à pandemia.

A postura do governo, porém, levou a Procuradoria da República no Amazonas a determinar a abertura de inquérito civil para apurar se houve falha no apoio ao Estado e opção por indicação de “tratamento precoce com eficácia questionada”.

O questionamento dos procuradores faz menção à visita do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e sua equipe ao Estado. Mesmo sob alertas de colapso em Manaus, a comitiva da Saúde apostou em uma arma ineficaz: o tratamento precoce, ou seja, o uso de medicamentos sem eficácia para a covid-19, como a cloroquina. A falta da prescrição destes medicamentos foi apontada por Bolsonaro como um dos maiores motivos da crise em Manaus.

Pazuello deixou a cidade em 13 de janeiro, na véspera de alguns hospitais ficarem sem oxigênio e pacientes morrerem asfixiados. Os procuradores apontam que o governo só mobilizou o transporte dos cilindros de oxigênio e a transferência de pacientes a outros Estados, por meio de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), no dia 14, quando a crise ganhou projeção nacional. Antes disso, porém, o governo local já alertava sobre a falta do insumo, segundo ofício que determina a apuração.

Mesmo sendo aliado ao governo o governador Wilson Lima (PSC), não teve uma resposta a altura sobre a iminente crise de oxigênio no estado.

“O problema é muito grave por conta da pandemia. Estamos chegando ao nosso limite e vim fazer um apelo ao ministro para que aumente o socorro para o Amazonas”, disse Lima após reunião com Pazuello.

O presidente do senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já deixou claro que pretende prosseguir com a determinação do STF.

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