Quarta, 14 de Abril de 2021
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Após denúncias, reportagem constata violação ambiental da empresa Sovel

Apesar das imagens mostrarem degradação do local, o Ipaam informou que técnicos estiveram no local e não constataram nada anormal

08/04/2021 05h38 Atualizada há 5 dias
Por: Joyce Carvalho

Após várias denúncias de moradores do local e de meios de comunicação sobre o descarte indevido de resíduos, vindo do Grupo Sovel da Amazônia LTDA, a equipe de reportagem do Laranjeiras News esteve no local para apuração dos fatos e constatou a realidade caótica e prejudicial ao meio ambiente.

O igarapé integra a micro bacia hidrográfica do lago do Aleixo e está localizado no perímetro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, ambos rios federais.

Para chegar até o local onde é conhecido pelos moradores como “bueiro da Sovel”, é preciso pegar uma embarcação. Ao chegar no local, a equipe de reportagem constatou que a denúncia procede e que a empresa dificultou o acesso até a parte principal do lago para que não fossem feitas imagens.

A massa de poluição se estende lago afora, o resíduo borbulha em diversos trechos, e mata asfixiados os peixes e outros animais aquáticos que vivem na região que exala um odor peculiar. Quem presencia degradação diária do espaço se revolta com os prejuízos causados à natureza e a população.

Devido a movimentação da denúncia nas redes sociais, pudemos constatar que nesta quarta-feira (7), havia uma equipe limpando a área e que a mesma tentou intimidar a a reportagem fazendo fotos e vídeos.

A empresa já acumula um montante de 36 processos no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) do total, um diz respeito a crime ambiental.

De acordo com informações do catraieiro que levou nossa equipe até local, o caso é recorrente desde a inauguração da fábrica, e que na seca do rio a situação se torna mais deplorável e os moradores estão cansados de denunciar e não ver resultados, fora o odor do local.

Na aba do site da empresa Sovel, a visão e a missão asseguram o comprometimento com o Meio Ambiente, o que é de se espantar que uma empresa que atua no mercado a mais de 45 anos ainda faz seu descarte de forma irregular, sem ao menos se preocupar com a preservação do local.

O questionamento que fica é, por quanto tempo mais, a empresa vai ficar poluído o lago e nenhuma providência vai ser tomada pelos órgãos responsáveis.

Conforme uma nota emitida nas redes sociais do Ipaam, técnicos ambientais estiveram até o referido local para apurar a denúncia e tomar as providências cabíveis, contudo não foi constatado, pela equipe técnica, qualquer alteração na localidade. A informação da nota se torna totalmente contraditória tendo em vista a averiguação da equipe nesta quarta-feira.

Onde estão o Ministério Público, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Polícia Ambiental? O Ministério Público Federal (MPF), foi contactado para tomar ciência da situação, mas não respondeu ao e-mail enviado.

Enquanto isso, um grande grupo empresarial que fatura milhares de reais degrada as já tão cansada área de preservação da capital amazonense, sem que haja qualquer interferência ou ação por parte do poder público, ou será que agem com anuência dos órgão de controle?

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