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Ao atacar ZFM com redução de impostos, Bolsonaro flerta com a economia chinesa

Com a medida que beneficia o mercado chinês, Bolsonaro arrisca cerca de 5 mil empregos da Zona Franca de Manaus em plena pandemia

Corredores do Poder

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18/02/2021 19h53Atualizado há 2 semanas
Por: Eduardo Menezes

Ao anunciar a redução de impostos sobre a importação de bicicletas no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está flertando com a economia da China, a quem seu governo é abertamente crítico.

Levantamento feito pelo Laranjeiras News mostra que a produção de bicicletas no país oriental subiu muito por conta da pandemia de Covid-19. Foram 44,37 milhões de unidades no ano passado, de acordo com o Ministério da Indústria e Informatização.

A produção de bicicletas elétricas, na China, subiu para 29,66 milhões de unidades no período, um aumento de 29,7% ante o ano anterior. Em dezembro, a produção do país de bicicletas e bicicletas elétricas aumentou 29,3% e 6,5% ano a ano, respectivamente.

A medida do presidente, vai reduzir de 35% para 20% a alíquota do imposto de importação de bicicletas no Brasil até o final do ano. A diminuição será gradativa: 30%, em março; 25%, em julho; e 20%, em dezembro, e coloca 5 mil empregos da Zona Franca de Manaus (ZFM) em risco. Além disso deverá facilitar a importação do produto chinês no Brasil.

Parlamentares do Amazonas em Brasília já se posicionaram contrários à medida. O deputado Marcelo Ramos (PL), argumenta que a decisão da Camex (Órgão ligado ao Ministério da Economia), coloca em risco os postos de emprego oferecidos pela Zona Franca. “A medida simplesmente inviabiliza o Polo de Bicicletas da Zona Franca de Manaus e transfere empregos para a China”, diz o vice-presidente da Casa.

O deputado afirmou que a bancada do Amazonas irá apresentar um Decreto Legislativo para proteger os empregos no Amazonas. O senador Omar Aziz (PSD-AM) também já encaminhou uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Consertando uma burrada

O presidente Jair Bolsonaro está sacrificando empregos brasileiros para aquecer a economia chinesa e tentar consertar um problema diplomático com o país comunista.

De acordo com assessores do Palácio do Planalto, o presidente quer mostrar aproximação com o país para tentar negociar vacinas contra a Covid-19. O Brasil é um dos poucos países que mesmo com condições não negociou doses emergenciais de imunizantes da China e ainda criticou e colocou em dúvida a eficácia da CoronaVac.

Em janeiro, o governo admitiu que a relação conturbada do país com a China tem travado a importação de insumos para a produção das vacinas contra a Covid-19 no Brasil. A ordem é que ministros e integrantes do governo mudem a postura para melhorar as negociações pró-vacina.

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